O que é Psicologia Corporal? – Psicologia Corporal

O que é Psicologia Corporal?

Atendimento de Psicologia Corporal
4 de julho de 2018

|Em geral já ouvimos falar de Psicologia, ou Psicoterapia Corporal, mas o vem a ser Psicologia Corporal?

Vamos começar com a Psicoterapia. A Psicoterapia Corporal começa com Wilhelm Reich, médico e psicanalista, que durante a primeira metade do século passado, passou a utilizar o corpo fisiológico do paciente, como parte integrante do seu trabalho, na clínica psicanalítica da época.

Podemos considerar Reich, como o pai das Psicoterapias Corporais que se sucederam ao seu trabalho, tais como, a Biodinâmica de Gerda Boyesen, a Bioenergética de Alexander Lowen, a Biossíntese de David Boadella, e muitas outras que surgem e afloram nos dias atuais, como a Experiência Somática de Peter Levine, ou o TRE de David Berceli , ou o Pulsation de Aneesha Dillon, ou qualquer outra que provavelmente esteja surgindo agora em algum lugar do mundo, que nós não sabemos o nome ainda.

Se as Psicoterapias Corporais tiveram a sua origem em Reich, é porque, consequentemente, beberam na fonte da Psicanálise de Sigmund Freud. Muitas delas, hoje em dia, nem prestam suas homenagens, e nem tomam mais a merecida benção ao grande mestre, Freud.

Não obstante, somos obrigados a reconhecer, que os trabalhos clínicos psicológicos, onde o corpo entra em cena como parte do processo terapêutico ( por meio de intervenções e/ou atuações), seu passado está ligado à medicina e à psicanálise: Freud era médico, Reich também.

Na época que Freud iniciou seus escritos sobre a psicanálise, haviam outras correntes de pensamento que estudavam o ser humano e seu comportamento. Começavam então, os primeiros esforços em prol de um saber, que apontava para o comportamento e o psíquico, criando-se as bases para o nascimento de uma jovem Psicologia.

Nos nossos tempos, como todo o saber, para obter credibilidade e estatuto de verdade, necessita ter cunho científico, esse novo saber tinha que acompanhar esses ditames. Fato que leva Freud a começar a escrever o artigo, Projeto para uma Psicologia Científica, onde esforça-se por amparar a psicologia profunda psicanalítica, em bases neuronais quantitativas. Ancorar todo o começo do conhecimento da psicanálise no corpo biológico, foi uma tarefa árdua, que Freud acabou por engavetar os escritos, e não permitiu a sua publicação ao longo de toda a sua vida.

De todos os psicanalista da época, colaboradores de Sigmund Freud, foi apenas Wilhelm Reich que defendeu essa bandeira: ir em direção ao corpo biológico – à biologia – na tentativa de emprestar à psicanálise um respaldo nas ciência naturais, e ao mesmo tempo, contribuir para uma visão mais integral do humano, uma integração corpo e mente. Entrava portanto, o corpo, como parte inseparável e atuante no processo terapêutico.

Apesar do corpo ter entrado na clínica, através de Reich, hoje, ele (o corpo) tem dificuldades para entrar na faculdade de psicologia. É quase como se houvesse uma certa conspiração: o corpo entra na fisioterapia, e a mente entra na psicologia.

Na fisioterapia, se o aluno perguntar qual é o sentimento que acompanha determinado movimento do corpo, vai ouvir do instrutor: “Não se preocupe com o sentimento, atenha-se ao movimento. Faça simplesmente assim, e pronto”. Em contrapartida, se alguém da psicologia em algum momento perguntar: “Mas, e o corpo físico?”, é bem provável que ouça: “O corpo é simbólico!”.

Tudo bem que a vida humana é rodeada e constituída no simbólico. No simbólico nasce a humanidade. Mas dizer que o corpo físico é simbólico…! O que eu faço com isso?

Agora, se disser que o corpo físico, tal como a pessoa, é atravessada por um simbólico que a norteia e a constitui, então posso tocar essa pessoa, que sentirá meu toque na própria pele do seu corpo, e sentirá meu toque, do lado de fora na pele, e do lado de dentro, no eu. Agora o simbólico tornou-se palpável.

Dessa maneira, posso pedir para o simbólico deitar e respirar, posso pedir para o simbólico mover seu olhos, seu braços, assim e assado, e sobretudo, posso tocar nesse simbólico.

Quando toco o corpo de um cliente, toco sua pele. Toco seu eu que reside no seu interior e é fruto das suas sensações cutâneas. Toco o seu imaginário, representado por suas relações de hoje e de outrora. De alguma forma, posso dizer que toco suas relações em fases antigas, nos seus jogos de holding e handling com a mãe, e toco o simbólico que o atravessa, ou seja, os representantes sociais da sua cultura.

Num simples ato, tocar, muita coisa pode estar envolvida.

Peço a permissão de pegar emprestado esse termo tão sugestivo, PSICOLOGIA CORPORAL, para resgatar essa integração entre o corpo e a mente na clínica psicológica, que teve sua origem em dois gigantes: Freud e Reich. O primeiro, quando lançou as bases de um eu corporal, totalmente amparado na biologia, e o segundo, quando, audaciosamente, foi em direção a esse corpo no setting terapêutico, como parte integrante e expressiva do inconsciente.

E mais, convoco um novo olhar do PSICÓLOGO CORPORAL, aos novos sujeitos dos tempos atuais. Pois, se somos produtos (ativos e atuantes) de um contexto social, historicamente situado, sob determinada cultura, não podemos ser as mesmas pessoas que andavam nas ruas nos tempos de Freud e de Reich.

Se naquela época, primeira metade do século passado, lidávamos com uma pessoa neurótica, reprimida de um longo passado repressor da sexualidade, hoje encontramos uma pessoa vazia, sem sentido, deprimida na sua base pelas constantes perdas da vida, atropelada pela rapidez do tempo, e angustiada pela total insegurança. Daí a forte ansiedade que assola a pessoa atual.

Naquela época, os limites eram intensos, a pessoa sofria de tanto limite, com um superego implacável. Hoje, o sujeito atual sofre por justamente o contrário, por falta de limites. Hoje não temos limites, por isso sofremos de esvaziamento, impotência sexual, pânico, TDHA, e excesso de somatizações.

A Psicoterapia Corporal de Wilhelm Reich, nasceu num contexto onde era necessário desencouraçar o paciente, desreprimindo-o para que o mesmo pudesse sentir o fluxo da vida pelo seu corpo.

Não podemos agir da mesma maneira hoje. A Psicologia Corporal necessita cuidar do novo sujeito, dando-lhe contorno e acolhimento, reestruturando a sua casa interna, para que ele possa sentir o fluxo da vida pelo seu corpo, pelo seu ser.

Olhar e pessoa atual com os olhos do século passado, é envenená-la.

Aquilo que foi um elixir em tempos passados, pode ser um veneno hoje.

O elixir, para a Psicologia Corporal, consiste em manter os olhos do Psicólogo límpidos, tal qual o párabrisa do carro precisa ser limpo o tempo todo para se enxergar o caminho.

Enfim, utilizo o nome Psicologia Corporal para diferenciar da antiga Psicoterapia Corporal, no intuito de emprestar àquela uma atualização e um novo olhar clínico para as novas subjetividades contemporâneas, sem perder os alicerces teóricos construídos por esta.

Alexandre J. Paiva
Alexandre J. Paiva
Psicólogo CRP 5/49933 Especializado em Psicoterapia Corporal com atendimento clínico (PRESENCIAL ou via SKYPE) sob a vertente de Wilhelm Reich. Trabalha orientado também pela visão da Experiência Somática de Peter Levine.

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